Portugal investe 133 milhões de euros em 75 viaturas táticas para os Fuzileiros da Marinha

August Vardvik
10 Min de leitura

Portugal vai adquirir viaturas VAMTAC fabricadas pela espanhola Urovesa através de um acordo de cooperação com Espanha. Operação será financiada pelo instrumento europeu SAFE e prevê entregas faseadas entre 2027 e 2029. (ECO)

Portugal avançou nesta quinta-feira, 27 de agosto de 2026, com um investimento de 133 milhões de euros destinado à aquisição de 75 viaturas táticas VAMTAC para os Fuzileiros da Marinha Portuguesa. O projeto será realizado no âmbito da cooperação entre Portugal e Espanha e contará com financiamento do instrumento europeu SAFE, criado para apoiar investimentos destinados ao reforço das capacidades de defesa dos países da União Europeia. As novas viaturas serão produzidas pela espanhola Urovesa, mas o Ministério da Defesa Nacional indica que o programa contará também com incorporação da indústria portuguesa. (ECO)

A operação foi formalizada através de um memorando de entendimento entre Portugal e Espanha, assinado nesta quinta-feira no Forte de São João Batista, no Porto. O documento estabelece os termos da cooperação entre os dois países para a aquisição dos veículos e outras componentes do programa. O calendário divulgado pelo Ministério da Defesa prevê que as entregas ocorram gradualmente entre 2027 e 2029, permitindo à Marinha incorporar os novos equipamentos ao longo de vários anos. (Diário de Notícias)

Viaturas serão destinadas aos Fuzileiros da Marinha

As 75 unidades serão destinadas ao Corpo de Fuzileiros, força da Marinha vocacionada para operações terrestres e anfíbias. A aquisição deverá contribuir para modernizar a mobilidade tática dos militares e reforçar a capacidade de utilização de meios terrestres em diferentes ambientes operacionais. O investimento ocorre num período em que Portugal está a acelerar a modernização das Forças Armadas e a preparar diferentes programas de reequipamento com apoio dos novos mecanismos financeiros europeus. (ECO)

O modelo escolhido pertence à família VAMTAC, desenvolvida pela fabricante espanhola Urovesa. Um fator considerado pelo Ministério da Defesa foi a experiência que as Forças Armadas portuguesas já possuem com esse tipo de equipamento. Segundo o ministério, o Exército português opera atualmente mais de uma centena de viaturas deste fabricante, permitindo aproveitar conhecimento técnico, experiência operacional e capacidades já existentes. (ECO)

Acordo aproxima indústrias de defesa de Portugal e Espanha

Embora as viaturas sejam fabricadas pela Urovesa, o projeto deverá envolver também a indústria nacional portuguesa. O Ministério da Defesa confirmou que haverá incorporação industrial portuguesa, embora as informações divulgadas nesta quinta-feira não detalhem integralmente quais empresas participarão nem a distribuição exata das atividades industriais previstas no programa. (ECO)

A cooperação industrial é uma parte importante da estratégia europeia para defesa. Os novos mecanismos de financiamento procuram não apenas permitir a compra de equipamentos, mas incentivar projetos conjuntos entre países europeus, reduzir a fragmentação das aquisições militares e ampliar a capacidade industrial existente dentro da União Europeia. Nesse contexto, o acordo entre Lisboa e Madrid permite combinar uma plataforma espanhola já conhecida pelas forças portuguesas com participação da indústria nacional.

Investimento chega aos 133 milhões de euros

O valor anunciado para a aquisição é de 133 milhões de euros, montante que será financiado através do Instrumento de Ação para a Segurança da Europa (SAFE). O mecanismo europeu oferece empréstimos em condições favoráveis para financiar investimentos em defesa e estimular aquisições conjuntas entre Estados-membros. (ECO)

O investimento nas 75 viaturas representa uma parcela de um programa português significativamente maior. Portugal prevê mobilizar aproximadamente 5,8 mil milhões de euros para reequipar as Forças Armadas recorrendo ao financiamento aprovado através do SAFE. Os recursos deverão ser aplicados em diferentes capacidades militares e precisam de ser executados dentro dos prazos definidos pelo programa europeu, que se prolongam até 2030. (ECO)

Entregas começam em 2027 e seguem até 2029

A chegada dos veículos não ocorrerá de uma só vez. O Ministério da Defesa prevê um calendário de entregas faseadas entre 2027 e 2029, permitindo incorporar progressivamente as novas viaturas e organizar formação, manutenção e adaptação das unidades que irão operá-las. (CM Jornal)

Esse período também dará margem para a participação da indústria portuguesa no programa e para a preparação logística necessária à operação dos equipamentos. A existência de VAMTAC já utilizados pelo Exército poderá facilitar determinados aspetos desse processo, principalmente no que diz respeito ao conhecimento acumulado sobre a plataforma e às necessidades de sustentação.

Exército já utiliza mais de uma centena de viaturas semelhantes

A experiência portuguesa com veículos da Urovesa foi apresentada pelo Ministério da Defesa como um dos fatores considerados na escolha. O Exército já dispõe de mais de 100 unidades, o que significa que as Forças Armadas não estarão a introduzir uma plataforma completamente desconhecida no país. (ECO)

A utilização de equipamentos semelhantes por diferentes ramos pode gerar vantagens relacionadas com manutenção, formação e disponibilidade de peças, embora as configurações destinadas aos Fuzileiros possam responder a requisitos próprios da Marinha. A escolha também permite aproveitar experiência adquirida anteriormente por militares e estruturas técnicas portuguesas.

Marinha está a modernizar equipamentos dos Fuzileiros

A compra dos VAMTAC não é a única iniciativa recente relacionada com a mobilidade dos Fuzileiros. Em agosto, o Governo já havia autorizado a Marinha a realizar despesas de até aproximadamente 4,02 milhões de euros, acrescidas de IVA, para adquirir viaturas táticas ultraligeiras, conjuntos de transformação para fogo de apoio e comunicações, sobressalentes e formação. (ECO)

Esse programa é diferente da aquisição das 75 viaturas agora anunciada e possui financiamento próprio através das verbas da Lei de Programação Militar. Juntos, porém, os projetos mostram um movimento mais amplo de renovação dos meios utilizados pelo Corpo de Fuzileiros, cuja estrutura se encontra em processo de reorganização e modernização.

Portugal acelera reequipamento das Forças Armadas

A aquisição deve ser compreendida dentro de um esforço significativamente maior de modernização militar. Portugal, assim como outros países europeus, está a aumentar investimentos em equipamentos, infraestrutura e capacidades de defesa, procurando simultaneamente cumprir compromissos internacionais e responder às novas prioridades estratégicas europeias.

O financiamento do SAFE tornou-se particularmente relevante nesse processo porque permite acelerar projetos que, recorrendo exclusivamente ao orçamento nacional, poderiam exigir períodos maiores de execução. No caso português, os 5,8 mil milhões de euros previstos representam uma oportunidade para renovar diferentes componentes das Forças Armadas durante os próximos anos. (ECO)

Cooperação com Espanha ganha dimensão estratégica

O memorando assinado no Porto reforça ainda a cooperação entre Portugal e Espanha na área da defesa. A cerimónia contou com representantes responsáveis pelo armamento dos dois países e com os respetivos responsáveis governamentais da Defesa. O acordo cria a base para concretizar a aquisição conjunta e organizar os restantes aspetos relacionados com o programa. (Diário de Notícias)

Para Portugal, a escolha permite adquirir uma plataforma já utilizada pelas suas Forças Armadas e simultaneamente aproveitar um mecanismo europeu que favorece projetos colaborativos. Para Espanha, o acordo representa uma nova encomenda relevante para a sua indústria de defesa, particularmente para a Urovesa.

Novas viaturas chegam numa fase de transformação da defesa portuguesa

A chegada das primeiras unidades em 2027 deverá marcar uma nova etapa na modernização da mobilidade terrestre dos Fuzileiros. Até 2029, quando está prevista a conclusão das entregas, a Marinha deverá ter incorporado as 75 novas viaturas, caso o calendário atualmente anunciado seja cumprido. (ECO)

Mais do que uma compra isolada, o investimento mostra como Portugal pretende utilizar recursos europeus para acelerar o reequipamento militar e aprofundar projetos conjuntos com outros países da União Europeia. Com 133 milhões de euros destinados especificamente às novas viaturas e milhares de milhões previstos para outros programas, os próximos anos deverão representar um dos períodos mais intensos de investimento na modernização das Forças Armadas portuguesas.

Fontes:

Agência Lusa — Portugal compra 75 viaturas táticas para a Marinha

ECO — investimento de 133 milhões de euros e financiamento europeu

Diário de Notícias — acordo Portugal-Espanha e detalhes da aquisição

Jornal Económico — calendário de entregas e programa SAFE

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