Luís Montenegro confirma antecipação de investimentos militares e em infraestruturas estratégicas, mantendo o compromisso de equilíbrio das contas públicas.
Portugal prepara-se para aumentar significativamente o investimento na área da Defesa, na sequência dos novos compromissos assumidos pelos países da NATO durante a cimeira realizada em Haia. O anúncio foi feito pelo primeiro-ministro, Luís Montenegro, que confirmou que o Governo pretende acelerar a execução de investimentos militares e em infraestruturas consideradas estratégicas, acompanhando a nova estratégia de segurança da Aliança Atlântica. (Diário de Notícias)
Segundo o chefe do Governo, Portugal deverá alcançar ainda este ciclo orçamental a meta de 2% do Produto Interno Bruto (PIB) em despesas de Defesa, iniciando depois uma trajetória gradual para cumprir o novo objetivo aprovado pela NATO: investir 5% do PIB até 2035, repartidos entre 3,5% em despesas militares diretas e 1,5% em investimentos relacionados com segurança, resiliência e infraestruturas de dupla utilização. (Diário de Notícias)
O que muda com o novo compromisso
A decisão representa uma alteração significativa da política de investimento público portuguesa na área da Defesa.
Até agora, Portugal encontrava-se abaixo das novas metas definidas pela NATO. Com a aprovação do novo plano, o Governo prevê antecipar compras de equipamento militar, reforçar infraestruturas e aumentar a capacidade operacional das Forças Armadas.
Entre os investimentos previstos encontram-se:
- modernização de equipamentos militares;
- melhoria de infraestruturas logísticas;
- reforço da cibersegurança;
- investimentos em comunicações estratégicas;
- infraestruturas energéticas e de mobilidade com utilização civil e militar.
Grande parte destas despesas poderá beneficiar igualmente outros setores da economia, uma vez que várias infraestruturas terão utilização partilhada entre fins civis e militares. (Governo de Portugal)
Governo garante equilíbrio das contas públicas
Apesar do aumento previsto na despesa, Luís Montenegro assegurou que Portugal continuará a manter uma política de responsabilidade orçamental.
Segundo o primeiro-ministro, o reforço financeiro será realizado de forma gradual, sem colocar em risco o equilíbrio das contas públicas nem comprometer áreas fundamentais do Estado Social.
O Governo pretende ainda acelerar processos de aquisição de equipamento militar e aproveitar verbas já previstas na Lei de Programação Militar para antecipar investimentos considerados prioritários. (Governo de Portugal)
Porque a NATO decidiu aumentar as metas
A decisão surge num contexto internacional marcado pelo prolongamento da guerra na Ucrânia, pelo aumento das tensões geopolíticas e pelos novos desafios relacionados com segurança europeia, ciberataques e proteção de infraestruturas críticas.
Durante a cimeira, os 32 Estados-membros acordaram aumentar o esforço financeiro coletivo para reforçar a capacidade de defesa da Aliança.
O objetivo passa por garantir maior capacidade de resposta perante ameaças militares, ataques híbridos, terrorismo e riscos associados às novas tecnologias. (Diário de Notícias)
Debate político deverá intensificar-se
O anúncio deverá alimentar o debate político em Portugal durante a preparação do próximo Orçamento do Estado.
Embora exista consenso sobre a importância do reforço da segurança europeia, vários partidos têm defendido que o aumento da despesa em Defesa não deve comprometer investimentos noutras áreas prioritárias, como saúde, educação, habitação e proteção social.
O Executivo argumenta, contudo, que parte significativa dos investimentos terá efeitos positivos para a economia, através da modernização de infraestruturas estratégicas, da inovação tecnológica e do reforço da indústria nacional ligada ao setor da Defesa. (Governo de Portugal)
O que esperar nos próximos meses
Nos próximos meses, o Governo deverá apresentar o calendário concreto para a execução dos novos investimentos e identificar os projetos prioritários.
Espera-se igualmente que o próximo Orçamento do Estado reflita o reforço financeiro necessário para cumprir os compromissos assumidos por Portugal no âmbito da NATO, mantendo simultaneamente a estratégia de sustentabilidade das finanças públicas. (Governo de Portugal)