Conselho de Ministros aprova dotação para reforçar candidatura ibérica à infraestrutura europeia de inteligência artificial, que pode atrair 8 mil milhões de euros.
O Governo português aprovou, em Conselho de Ministros, uma dotação de 200 milhões de euros para reforçar a candidatura conjunta de Portugal e Espanha à futura gigafábrica europeia de inteligência artificial. A localização escolhida para a infraestrutura é Sines, cidade que já recebe outros investimentos tecnológicos de grande escala. Para quem acompanha este processo há meses, a grande questão é simples de formular, mas complexa de responder: o que muda, na prática, com esta aprovação e o que pode esta gigafábrica trazer para empresas portuguesas, para o Estado e para a economia nacional nos próximos anos.
O que aprovou o Governo e como funciona o financiamento
A resolução aprovada esta semana em Conselho de Ministros habilita a Agência para a Reforma Tecnológica do Estado a subscrever formalmente o projeto da gigafábrica. Segundo explicou o ministro Adjunto e da Reforma do Estado, Gonçalo Matias, esta candidatura implica um investimento público de 200 milhões de euros ao longo de sete anos, valor que será imputado diretamente à aquisição de capacidade de computação. Caso a candidatura ibérica seja selecionada pela Comissão Europeia, no âmbito do programa EuroHPC, este montante será duplicado por Bruxelas, elevando o financiamento público total para 400 milhões de euros.
O objetivo central deste investimento, segundo o ministro, é garantir que o Estado português passa a ter acesso direto a capacidade de computação avançada, que poderá depois ser distribuída pelos vários ministérios públicos que necessitem deste recurso. Gonçalo Matias sublinhou ainda que esta capacidade não ficará reservada apenas ao Estado, esclarecendo que a gigafábrica está pensada também para servir pequenas e médias empresas portuguesas, através de um consórcio aberto.
Sines como centro estratégico e o papel do Banco Português de Fomento
A candidatura portuguesa está a ser liderada pelo Banco Português de Fomento, que em conjunto com Espanha apresentou formalmente a proposta junto da Comissão Europeia. Sines surge como a localização principal escolhida do lado português, embora o Governo tenha admitido que pode ainda vir a ser criada uma infraestrutura de redundância numa segunda localização, sem confirmação sobre se essa seria Abrantes.
O valor total estimado para o investimento tem vindo a crescer desde a apresentação inicial do projeto. Se a proposta original apontava para quatro mil milhões de euros, o ministro Gonçalo Matias já admitiu que esse valor pode chegar a cerca de oito mil milhões, o dobro do montante inicialmente previsto. Esta revisão em alta está relacionada com o crescimento do consórcio, que já inclui a confirmação da participação da Nvidia, fabricante líder mundial de placas gráficas usadas em sistemas de inteligência artificial, reforçando a credibilidade da proposta portuguesa perante Bruxelas.
Porque é que esta gigafábrica importa para Portugal e qual o calendário esperado
A Comissão Europeia pretende instalar até cinco gigafábricas de inteligência artificial na Europa, no âmbito do programa InvestAI, que prevê mobilizar 200 mil milhões de euros em investimento ligado a IA nos próximos anos. Para Portugal, o ministro Gonçalo Matias defende que este investimento é fundamental para garantir soberania e resiliência tecnológica, já que parte dos dados processados na gigafábrica pertencem ao próprio Estado português. O Governo aponta ainda que condições estruturais como o acesso a energia e recursos hídricos já estão asseguradas através da Estratégia Nacional de Centros de Dados. O concurso oficial da Comissão Europeia deverá ser lançado no último trimestre deste ano, altura em que se saberá se a candidatura ibérica, com Sines como peça central, garante o financiamento europeu.
Este projeto surge num contexto em que Portugal já recebe outros investimentos tecnológicos relevantes, como o anúncio da Microsoft de cerca de dez mil milhões de euros também na zona de Sines, reforçando a perceção do Governo de que o país tem condições para se afirmar em nichos específicos da economia digital europeia.
Fontes: Observador | Tek Notícias | ECO
Autor: Diego Rodríguez Velázquez