Portugal tem novo Dia Nacional dedicado ao vinho, celebrado já esta quinta-feira

Diego Velázquez
6 Min de leitura

Despacho publicado em Diário da República institui o Dia Nacional da Vinha e do Vinho a 31 de julho, coincidindo com o aniversário do Instituto da Vinha e do Vinho.

Portugal passou a ter, a partir deste ano, uma nova efeméride nacional dedicada a um dos produtos mais associados à identidade do país. O Governo instituiu o Dia Nacional da Vinha e do Vinho, que se celebra anualmente a 31 de julho, através de um despacho assinado pelo ministro da Agricultura e Mar, José Manuel Fernandes, e publicado em Diário da República na quinta-feira. A decisão surge num momento em que o setor vitivinícola nacional atravessa transformações relevantes, tanto a nível interno como no plano internacional, e pretende reforçar o reconhecimento público de uma atividade com forte peso económico, social e cultural em várias regiões do território.

Porque motivo o Governo escolheu esta data

A escolha do dia 31 de julho não é arbitrária. Segundo consta no preâmbulo do despacho, foi precisamente nesta data, em 1986, que o Conselho de Ministros aprovou o diploma que deu origem ao Instituto da Vinha e do Vinho (IVV), entidade responsável pela regulação e promoção do setor em Portugal. O IVV celebra este ano o seu 40.º aniversário, pelo que a nova efeméride nacional coincide simbolicamente com esse marco histórico, ligando a criação da instituição reguladora ao reconhecimento formal do produto que ela representa.

Para o executivo, o vinho ultrapassa a função de simples bebida e assume uma dimensão que atravessa vários domínios da vida coletiva. O despacho descreve o setor como um dos pilares da mesa portuguesa, associando-lhe uma dimensão social, económica, cultural, religiosa, ambiental e paisagística. Esta multiplicidade de significados justifica, na perspetiva do Governo, a criação de um dia próprio, à semelhança do que já acontece com outros produtos ou atividades de referência nacional que dispõem de datas comemorativas específicas no calendário oficial.

O peso económico do setor vitivinícola em Portugal

Os números confirmam a relevância que o Governo atribui ao setor. Em 2025, a área de vinha em Portugal fixou-se em 169.663 hectares, com uma produção nacional de vinho que atingiu 595,6 milhões de litros ao longo do ano. Estes valores colocam a viticultura entre as atividades agrícolas com maior expressão territorial no país, com particular incidência em regiões do interior, onde o cultivo da vinha sustenta comunidades rurais em dezenas de municípios e representa, em muitos casos, uma das poucas alternativas económicas viáveis para a fixação de população.

O documento do Governo sublinha ainda que o vinho é gerador de riqueza e de emprego direto e indireto em todo o território nacional, com um setor de forte vocação exportadora que contribui de modo significativo para a balança comercial agroalimentar. Além da vertente económica direta, o executivo destaca o contributo do setor para a projeção da imagem de Portugal no estrangeiro e para o crescimento do turismo vitivinícola, uma área que tem vindo a atrair cada vez mais visitantes interessados em conhecer as regiões produtoras, das quais o Douro se destaca pela tradição e pelo reconhecimento internacional.

O que muda no panorama internacional do setor

A instituição desta efeméride surge num contexto de mudanças também a nível internacional. Portugal aprovou oficialmente, em junho, a alteração ao acordo da Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV), confirmando a transferência da sua sede para Dijon, em França. O Instituto da Vinha e do Vinho explica que esta decisão, tomada em 2022 pelo conjunto dos países membros, marca um novo capítulo na organização que acompanha e apoia o desenvolvimento do setor vitivinícola a nível mundial. A entrada em vigor desta alteração foi ratificada através de decreto do Presidente da República, publicado em junho.

Este conjunto de decisões, tanto a nível nacional como internacional, reflete um momento de reorganização institucional do setor, no qual Portugal procura afirmar-se como interveniente ativo. A criação do Dia Nacional da Vinha e do Vinho pode assim ser lida como parte de uma estratégia mais alargada de valorização da imagem do país enquanto produtor de referência, num setor onde a concorrência internacional tem vindo a intensificar-se e onde a diferenciação pela qualidade e pela tradição assume cada vez mais importância.

A nova data comemorativa não implica, para já, feriado nem alterações ao regime laboral, funcionando essencialmente como reconhecimento simbólico do setor. Ainda assim, associações do setor e autarquias das regiões vitivinícolas já manifestaram intenção de assinalar a data com iniciativas próprias nos próximos anos, aproveitando o mês de julho, período de maior afluência turística, para dar visibilidade à produção nacional junto de visitantes nacionais e estrangeiros.

Fontes:
https://observador.pt/2026/07/30/governo-institui-dia-nacional-da-vinha-e-do-vinho-a-celebrar-em-31-de-julho/
https://www.tempo.pt/noticias/actualidade/dia-nacional-da-vinha-e-do-vinho-e-hoje-31-de-julho-portugal-passa-a-celebrar-um-dos-pilares-da-mesa-portuguesa.html
https://pplware.sapo.pt/informacao/portugal-tem-um-novo-dia-nacional-saiba-o-que-passamos-a-celebrar-a-31-de-julho/

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